ISSO PAGA AS CONTAS

Na tentativa de me encontrar
Me vi perdido
Mal sabia eu que esse era o caminho
Estar sozinho me remetia a verdade
Mas a ansiedade me cegava
Estava realmente perdido?
Ou partido, sem sentido,
No temido caminho que escolheram para mim?
Nunca fui assim!
Mas isso paga as contas
Faço de conta que vivo
Compro instantes felizes
Fúteis, rápidos, sutis
Brisas de vida em uma alma que quer rodopiar
Um tufão, tornado, ciclone preso
Mas a brisa paga as contas
Se estou sufocado
Abro a janela ao lado
Um drink, um copo, algo ousado
Um filme, teatro, show lotado
Eu iludido, coitado
Mas mesmo me deixando de lado
Isso paga as contas
Então fantasiosamente adormeço
Sonho, enlouqueço
Na prisão imposta e aceita
Onde me deixei colocar
Mas, de vez em quando,
Um sopro, um desatino, um relance
Faz a caneta saltar
E enfim me brilha o olhar
Mesmo sem pagar as contas
A felicidade gratuita
Se molda em letras e frases
E rápida como um cometa trazes
O meu verdadeiro eu.

Gil Lemos

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